A violência que começa como piada

Redação • 15 de maio de 2026

Por Aline Teixeira
A violência contra a mulher nem sempre começa de forma explícita. Em muitos casos, ela surge em comentários “inofensivos”, piadas constrangedoras, humilhações públicas e comportamentos que a sociedade aprendeu a normalizar como traços de personalidade, excesso de ciúme ou senso de humor. O problema é que aquilo que parece pequeno no início frequentemente é o primeiro sinal de uma dinâmica abusiva.


Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a violência psicológica é uma das formas mais recorrentes de agressão sofrida por mulheres, embora ainda seja uma das menos identificadas. Isso acontece porque ela costuma aparecer de maneira sutil: críticas constantes, ironias, exposição ao ridículo, manipulação emocional, controle disfarçado de cuidado e frases que fazem a mulher questionar a própria percepção da realidade.
Expressões como “foi só uma brincadeira”, “você é muito sensível” ou “não sabe aceitar piada” são frequentemente usadas para invalidar o desconforto feminino e minimizar comportamentos agressivos. Existe uma banalização cultural da violência emocional, especialmente quando ela vem acompanhada de humor ou carisma. Muitas mulheres aprendem desde cedo a rir de situações que, na prática, são desrespeitosas.
Além disso, a repetição dessas microviolências tem impacto direto na autoestima, na saúde mental e na capacidade da mulher de reconhecer limites dentro de uma relação. Estudos sobre violência doméstica mostram que relações abusivas raramente começam com agressões físicas. Elas normalmente se constroem gradualmente, através de mecanismos de controle emocional e desvalorização.
O debate sobre violência contra a mulher precisa incluir também aquilo que não deixa marcas visíveis. Nem toda agressão vem em forma de grito. Às vezes ela aparece em tom de deboche, em constrangimentos públicos ou em comentários que diminuem, inferiorizam e silenciam. E justamente por parecer “leve”, esse tipo de comportamento acaba sendo ainda mais difícil de identificar.
Normalizar agressões disfarçadas de humor contribui para perpetuar relações tóxicas e uma cultura que ensina mulheres a suportarem desconfortos para não parecerem exageradas. Reconhecer esses sinais desde o início é uma forma de prevenção. Porque a violência, muitas vezes, começa exatamente onde todo mundo insiste em chamar de piada.
Eu sou Aline Teixeira e acredito que toda mulher merece viver relações onde o respeito não precise ser pedido, explicado ou implorado. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.

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Sessão solene realizada pela Câmara Municipal marcou o aniversário do município e reconheceu a atuação de Aline Teixeira em ações sociais e na preservação do patrimônio natural e cultural da cidade. Por Redação - Itaquera em Notícias Imagem: Acácia Gutierrez / Itaquera em Notícias 
14 de julho de 2026
A reportagem exibida pelo Fantástico neste fim de semana reacendeu um debate urgente sobre a violência contra a mulher. As denúncias contra o influenciador Cartolouco, feitas por ex-companheiras e atualmente investigadas pela Justiça, ganharam grande repercussão não apenas pela gravidade dos relatos, mas por evidenciarem um aspecto comum em muitos casos de violência doméstica: o ciclo da violência. O influenciador nega as acusações e afirma que apresentará sua defesa. Uma das perguntas que mais surgem quando casos como esse vêm à tona é: "Por que ela voltou?". A resposta é muito mais complexa do que parece. Relações abusivas dificilmente começam com agressões físicas. Elas costumam ser construídas aos poucos, entre demonstrações de carinho, pedidos de desculpas, promessas de mudança e episódios de violência. Esse movimento é conhecido por especialistas como ciclo da violência. Depois da agressão vem o arrependimento, seguido pela chamada "fase da lua de mel", quando o agressor promete que tudo será diferente. É justamente nesse momento que muitas mulheres acreditam que o relacionamento pode ser reconstruído. Não é ingenuidade. É uma combinação de manipulação emocional, esperança, medo, dependência financeira, baixa autoestima e isolamento. Julgar quem permanece em uma relação abusiva é ignorar toda a complexidade que existe por trás dessa decisão. O caso também trouxe à tona uma discussão importante sobre os desafios da rede de proteção. Uma das ex-companheiras relatou que deixou de contar com medida protetiva após o arquivamento do procedimento relacionado ao seu caso. Independentemente das razões jurídicas de cada processo, essa situação levanta uma reflexão necessária: muitas mulheres ainda se sentem desprotegidas quando o sistema deixa de oferecer mecanismos de proteção enquanto o medo permanece presente. A Lei Maria da Penha representa um dos maiores avanços na defesa das mulheres no Brasil, mas sua efetividade depende de uma aplicação rápida, integrada e capaz de acompanhar a realidade das vítimas, especialmente quando há risco de reiteração da violência. Outro ponto importante revelado pela reportagem foi a atitude das ex-companheiras de compartilharem suas experiências. Quando as mulheres percebem que viveram situações semelhantes, elas deixam de acreditar que estavam sozinhas ou que "era coisa da própria cabeça". Esse movimento fortalece vítimas, rompe o isolamento e incentiva outras mulheres a reconhecerem sinais de violência e buscarem ajuda. Mais do que expor um caso, elas mostraram como a união entre mulheres pode encorajar outras vítimas a romperem o silêncio.  Eu sou Aline Teixeira e acredito que enfrentar a violência contra a mulher começa quando deixamos de perguntar por que ela voltou e passamos a perguntar por que tantas mulheres ainda encontram barreiras para sair de uma relação abusiva, inclusive na justiça. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.