Quando a tentativa vira notícia, mas os sinais já existiam antes

Redação • 1 de junho de 2026

Por Aline Teixeira
Nas últimas semanas, novos casos de tentativa de feminicídio voltaram a ocupar os noticiários brasileiros. Histórias diferentes, cidades diferentes, mas quase sempre o mesmo padrão: mulheres que já conviviam com ameaças, controle, agressões psicológicas ou violência dentro de relacionamentos.
O problema é que, muitas vezes, a sociedade ainda enxerga o feminicídio como um episódio isolado, quando, na realidade, ele costuma ser o resultado final de uma sequência de violências que começaram muito antes.
Os números mostram a gravidade desse cenário. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado no país. No primeiro trimestre de 2026, foram registrados 399 casos.
Além disso, os casos de tentativa de feminicídio também cresceram. São milhares de mulheres que sobrevivem, mas carregam marcas físicas e emocionais profundas após ataques cometidos, na maioria das vezes, por parceiros ou ex-companheiros.
Outro ponto preocupante é a fragilidade da própria rede de proteção. Apesar de uma lei federal aprovada em 2023 determinar que as Delegacias da Mulher funcionem 24 horas por dia, sete dias por semana, a realidade ainda está longe disso. Um levantamento do Ministério da Justiça mostrou que mais de 80% das delegacias especializadas do país não possuem atendimento ininterrupto. Em São Paulo, por exemplo, apenas 18 das 142 Delegacias de Defesa da Mulher funcionam 24 horas, mesmo diante do aumento dos casos de violência e dos pedidos de medidas protetivas.
A discussão é ainda mais urgente porque especialistas apontam que a denúncia e o atendimento rápido são fundamentais para evitar que a violência evolua para situações extremas. Quando uma mulher decide pedir ajuda, o acolhimento precisa estar disponível naquele momento, não apenas em horário comercial.
Por trás de cada manchete existe uma história que, muitas vezes, já apresentava sinais. Controle excessivo, perseguição, ameaças, humilhações e violência psicológica não podem ser tratados como problemas menores.
Eu sou Aline Teixeira e acredito que o combate à violência contra a mulher começa quando deixamos de ignorar os sinais e passamos a levar cada pedido de ajuda a sério. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.

14 de julho de 2026
A reportagem exibida pelo Fantástico neste fim de semana reacendeu um debate urgente sobre a violência contra a mulher. As denúncias contra o influenciador Cartolouco, feitas por ex-companheiras e atualmente investigadas pela Justiça, ganharam grande repercussão não apenas pela gravidade dos relatos, mas por evidenciarem um aspecto comum em muitos casos de violência doméstica: o ciclo da violência. O influenciador nega as acusações e afirma que apresentará sua defesa. Uma das perguntas que mais surgem quando casos como esse vêm à tona é: "Por que ela voltou?". A resposta é muito mais complexa do que parece. Relações abusivas dificilmente começam com agressões físicas. Elas costumam ser construídas aos poucos, entre demonstrações de carinho, pedidos de desculpas, promessas de mudança e episódios de violência. Esse movimento é conhecido por especialistas como ciclo da violência. Depois da agressão vem o arrependimento, seguido pela chamada "fase da lua de mel", quando o agressor promete que tudo será diferente. É justamente nesse momento que muitas mulheres acreditam que o relacionamento pode ser reconstruído. Não é ingenuidade. É uma combinação de manipulação emocional, esperança, medo, dependência financeira, baixa autoestima e isolamento. Julgar quem permanece em uma relação abusiva é ignorar toda a complexidade que existe por trás dessa decisão. O caso também trouxe à tona uma discussão importante sobre os desafios da rede de proteção. Uma das ex-companheiras relatou que deixou de contar com medida protetiva após o arquivamento do procedimento relacionado ao seu caso. Independentemente das razões jurídicas de cada processo, essa situação levanta uma reflexão necessária: muitas mulheres ainda se sentem desprotegidas quando o sistema deixa de oferecer mecanismos de proteção enquanto o medo permanece presente. A Lei Maria da Penha representa um dos maiores avanços na defesa das mulheres no Brasil, mas sua efetividade depende de uma aplicação rápida, integrada e capaz de acompanhar a realidade das vítimas, especialmente quando há risco de reiteração da violência. Outro ponto importante revelado pela reportagem foi a atitude das ex-companheiras de compartilharem suas experiências. Quando as mulheres percebem que viveram situações semelhantes, elas deixam de acreditar que estavam sozinhas ou que "era coisa da própria cabeça". Esse movimento fortalece vítimas, rompe o isolamento e incentiva outras mulheres a reconhecerem sinais de violência e buscarem ajuda. Mais do que expor um caso, elas mostraram como a união entre mulheres pode encorajar outras vítimas a romperem o silêncio.  Eu sou Aline Teixeira e acredito que enfrentar a violência contra a mulher começa quando deixamos de perguntar por que ela voltou e passamos a perguntar por que tantas mulheres ainda encontram barreiras para sair de uma relação abusiva, inclusive na justiça. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.
14 de julho de 2026
Quando falamos sobre trabalho, normalmente pensamos no emprego formal, na jornada registrada em carteira ou no empreendedorismo. Mas existe uma outra jornada, silenciosa e indispensável, que continua recaindo majoritariamente sobre as mulheres: o trabalho não remunerado. Segundo dados do IBGE, as mulheres dedicam, em média, quase o dobro do tempo dos homens aos afazeres domésticos e ao cuidado de crianças, idosos e familiares. Quando essa responsabilidade se soma ao trabalho remunerado, nasce a conhecida dupla jornada. Para muitas, ela se transforma em tripla jornada, conciliando emprego, cuidados com a casa, estudos ou uma segunda fonte de renda para complementar o orçamento familiar. Essa realidade ajuda a explicar por que tantas mulheres aceitam condições de trabalho precárias, jornadas excessivas ou empregos abaixo de sua qualificação. Muitas são chefes de família e sabem que abrir mão daquela renda pode significar colocar em risco o sustento dos filhos. Dados do IBGE também mostram que milhões de lares brasileiros têm mulheres como principais responsáveis pela renda da casa. Ainda assim, elas continuam enfrentando desigualdade salarial, menor acesso a cargos de liderança e maior dificuldade para equilibrar vida profissional e responsabilidades familiares. Valorizar o trabalho feminino também significa reconhecer aquilo que não aparece na folha de pagamento. O cuidado, a organização da casa e o apoio à família movimentam a economia e garantem o funcionamento da sociedade, embora ainda sejam vistos como uma obrigação exclusivamente feminina.  Eu sou Aline Teixeira e acredito que construir um país mais justo passa por reconhecer o valor do trabalho das mulheres, dentro e fora de casa. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.