Quando a tentativa vira notícia, mas os sinais já existiam antes
Por Aline Teixeira
Nas últimas semanas, novos casos de tentativa de feminicídio voltaram a ocupar os noticiários brasileiros. Histórias diferentes, cidades diferentes, mas quase sempre o mesmo padrão: mulheres que já conviviam com ameaças, controle, agressões psicológicas ou violência dentro de relacionamentos.
O problema é que, muitas vezes, a sociedade ainda enxerga o feminicídio como um episódio isolado, quando, na realidade, ele costuma ser o resultado final de uma sequência de violências que começaram muito antes.
Os números mostram a gravidade desse cenário. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado no país. No primeiro trimestre de 2026, foram registrados 399 casos.
Além disso, os casos de tentativa de feminicídio também cresceram. São milhares de mulheres que sobrevivem, mas carregam marcas físicas e emocionais profundas após ataques cometidos, na maioria das vezes, por parceiros ou ex-companheiros.
Outro ponto preocupante é a fragilidade da própria rede de proteção. Apesar de uma lei federal aprovada em 2023 determinar que as Delegacias da Mulher funcionem 24 horas por dia, sete dias por semana, a realidade ainda está longe disso. Um levantamento do Ministério da Justiça mostrou que mais de 80% das delegacias especializadas do país não possuem atendimento ininterrupto. Em São Paulo, por exemplo, apenas 18 das 142 Delegacias de Defesa da Mulher funcionam 24 horas, mesmo diante do aumento dos casos de violência e dos pedidos de medidas protetivas.
A discussão é ainda mais urgente porque especialistas apontam que a denúncia e o atendimento rápido são fundamentais para evitar que a violência evolua para situações extremas. Quando uma mulher decide pedir ajuda, o acolhimento precisa estar disponível naquele momento, não apenas em horário comercial.
Por trás de cada manchete existe uma história que, muitas vezes, já apresentava sinais. Controle excessivo, perseguição, ameaças, humilhações e violência psicológica não podem ser tratados como problemas menores.
Eu sou Aline Teixeira e acredito que o combate à violência contra a mulher começa quando deixamos de ignorar os sinais e passamos a levar cada pedido de ajuda a sério. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.



