Quando a tecnologia vira violência: o uso da inteligência artificial para expor mulheres

24 de abril de 2026

A tecnologia avança em ritmo acelerado, mas nem sempre o uso que se faz dela acompanha responsabilidade e ética. Nos últimos meses, um tipo de violência tem se tornado cada vez mais comum e preocupante: o uso de inteligência artificial para criar imagens íntimas falsas de mulheres, divulgadas sem qualquer consentimento.


Esse tipo de prática, muitas vezes chamado de “deepfake íntimo”, não é brincadeira, nem entretenimento. É violência.

A partir de fotos públicas, criminosos utilizam ferramentas de inteligência artificial para manipular imagens e criar conteúdos de nudez ou cunho sexual, simulando situações que nunca existiram. O impacto disso é devastador. Mulheres têm suas imagens expostas, sua reputação atacada e sua segurança emocional profundamente afetada.


No Brasil, a divulgação de conteúdo íntimo sem consentimento já é tipificada como crime. Mesmo quando a imagem é manipulada, o dano causado é real e pode ser enquadrado em crimes como difamação, violência psicológica e crimes contra a dignidade sexual.


Mas para além da legislação, é importante entender o que está por trás desse tipo de prática: controle, exposição e tentativa de silenciamento. Mais uma vez, a tecnologia é usada como ferramenta de violência, especialmente contra mulheres que ocupam espaços, se posicionam ou simplesmente existem no ambiente digital.


Outro ponto importante é a reação social. Muitas vezes, a vítima ainda é questionada, julgada ou responsabilizada, enquanto o agressor permanece no anonimato. Essa inversão precisa ser combatida.


Se uma mulher for vítima desse tipo de crime, alguns caminhos são fundamentais: registrar boletim de ocorrência, preferencialmente em delegacias especializadas em crimes digitais ou contra a mulher; reunir provas, como prints, links e registros das publicações; solicitar a remoção do conteúdo nas plataformas digitais e buscar apoio jurídico e psicológico.


Além disso, existem canais de denúncia e apoio que podem orientar e acolher essas vítimas, reforçando que elas não estão sozinhas.


Falar sobre esse tema é urgente. Porque o ambiente digital não é separado da vida real, ele também precisa ser seguro. E enquanto novas tecnologias surgem, a responsabilidade de combater o uso delas para violentar pessoas precisa crescer na mesma proporção.



Eu sou Aline Teixeira e acredito que proteger mulheres também significa enfrentar as novas formas de violência que tentam silenciar suas vozes no ambiente digital. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.


14 de julho de 2026
A reportagem exibida pelo Fantástico neste fim de semana reacendeu um debate urgente sobre a violência contra a mulher. As denúncias contra o influenciador Cartolouco, feitas por ex-companheiras e atualmente investigadas pela Justiça, ganharam grande repercussão não apenas pela gravidade dos relatos, mas por evidenciarem um aspecto comum em muitos casos de violência doméstica: o ciclo da violência. O influenciador nega as acusações e afirma que apresentará sua defesa. Uma das perguntas que mais surgem quando casos como esse vêm à tona é: "Por que ela voltou?". A resposta é muito mais complexa do que parece. Relações abusivas dificilmente começam com agressões físicas. Elas costumam ser construídas aos poucos, entre demonstrações de carinho, pedidos de desculpas, promessas de mudança e episódios de violência. Esse movimento é conhecido por especialistas como ciclo da violência. Depois da agressão vem o arrependimento, seguido pela chamada "fase da lua de mel", quando o agressor promete que tudo será diferente. É justamente nesse momento que muitas mulheres acreditam que o relacionamento pode ser reconstruído. Não é ingenuidade. É uma combinação de manipulação emocional, esperança, medo, dependência financeira, baixa autoestima e isolamento. Julgar quem permanece em uma relação abusiva é ignorar toda a complexidade que existe por trás dessa decisão. O caso também trouxe à tona uma discussão importante sobre os desafios da rede de proteção. Uma das ex-companheiras relatou que deixou de contar com medida protetiva após o arquivamento do procedimento relacionado ao seu caso. Independentemente das razões jurídicas de cada processo, essa situação levanta uma reflexão necessária: muitas mulheres ainda se sentem desprotegidas quando o sistema deixa de oferecer mecanismos de proteção enquanto o medo permanece presente. A Lei Maria da Penha representa um dos maiores avanços na defesa das mulheres no Brasil, mas sua efetividade depende de uma aplicação rápida, integrada e capaz de acompanhar a realidade das vítimas, especialmente quando há risco de reiteração da violência. Outro ponto importante revelado pela reportagem foi a atitude das ex-companheiras de compartilharem suas experiências. Quando as mulheres percebem que viveram situações semelhantes, elas deixam de acreditar que estavam sozinhas ou que "era coisa da própria cabeça". Esse movimento fortalece vítimas, rompe o isolamento e incentiva outras mulheres a reconhecerem sinais de violência e buscarem ajuda. Mais do que expor um caso, elas mostraram como a união entre mulheres pode encorajar outras vítimas a romperem o silêncio.  Eu sou Aline Teixeira e acredito que enfrentar a violência contra a mulher começa quando deixamos de perguntar por que ela voltou e passamos a perguntar por que tantas mulheres ainda encontram barreiras para sair de uma relação abusiva, inclusive na justiça. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.
14 de julho de 2026
Quando falamos sobre trabalho, normalmente pensamos no emprego formal, na jornada registrada em carteira ou no empreendedorismo. Mas existe uma outra jornada, silenciosa e indispensável, que continua recaindo majoritariamente sobre as mulheres: o trabalho não remunerado. Segundo dados do IBGE, as mulheres dedicam, em média, quase o dobro do tempo dos homens aos afazeres domésticos e ao cuidado de crianças, idosos e familiares. Quando essa responsabilidade se soma ao trabalho remunerado, nasce a conhecida dupla jornada. Para muitas, ela se transforma em tripla jornada, conciliando emprego, cuidados com a casa, estudos ou uma segunda fonte de renda para complementar o orçamento familiar. Essa realidade ajuda a explicar por que tantas mulheres aceitam condições de trabalho precárias, jornadas excessivas ou empregos abaixo de sua qualificação. Muitas são chefes de família e sabem que abrir mão daquela renda pode significar colocar em risco o sustento dos filhos. Dados do IBGE também mostram que milhões de lares brasileiros têm mulheres como principais responsáveis pela renda da casa. Ainda assim, elas continuam enfrentando desigualdade salarial, menor acesso a cargos de liderança e maior dificuldade para equilibrar vida profissional e responsabilidades familiares. Valorizar o trabalho feminino também significa reconhecer aquilo que não aparece na folha de pagamento. O cuidado, a organização da casa e o apoio à família movimentam a economia e garantem o funcionamento da sociedade, embora ainda sejam vistos como uma obrigação exclusivamente feminina.  Eu sou Aline Teixeira e acredito que construir um país mais justo passa por reconhecer o valor do trabalho das mulheres, dentro e fora de casa. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.