Jejum de palavras e o peso da violência invisível

19 de fevereiro de 2026

Recentemente, o Papa Leão XIV convidou os fiéis a refletirem sobre um tipo de jejum que vai além da alimentação: o jejum de palavrões, ofensas e palavras agressivas durante a Quaresma. A proposta, simples à primeira vista, carrega uma profundidade que ultrapassa o campo religioso. Ela nos obriga a pensar sobre o poder da linguagem e sobre como a violência começa, muitas vezes, pela palavra.


Palavras não são neutras. Elas constroem, mas também ferem. Em muitos relacionamentos abusivos, a agressão física é apenas a etapa final de um processo que começou muito antes, com humilhações constantes, ironias, gritos, xingamentos e desqualificações. A violência psicológica é silenciosa, progressiva e devastadora. Ela corrói a autoestima, gera insegurança e cria dependência emocional.


Quando alguém é chamado repetidamente de “inútil”, “louca”, “incapaz” ou “exagerada”, não se trata de um simples desentendimento conjugal. Trata-se de um mecanismo de controle. A palavra vira ferramenta de dominação. O agressor desestabiliza para enfraquecer. Ridiculariza para isolar. Diminui para manter poder.


O convite ao jejum de palavrões é, portanto, mais do que um exercício de educação ou espiritualidade. É um chamado à responsabilidade emocional. É reconhecer que violência não começa com o tapa, começa com a naturalização do desrespeito. E quando a sociedade relativiza frases como “foi só um xingamento” ou “ele falou da boca pra fora”, contribui para manter ciclos abusivos invisíveis.


Em muitos lares, o abuso verbal é tratado como algo comum. Mulheres são ensinadas a tolerar explosões de raiva, a entender gritos como “temperamento forte”, a relevar humilhações para “manter a família”. Mas não existe amor onde há medo constante. Não existe parceria onde há desqualificação contínua.


Jejuar palavras agressivas é também um exercício de rever padrões culturais que normalizam o machismo, a misoginia e a violência simbólica. É entender que a forma como nos comunicamos revela nossa maturidade emocional. E, principalmente, que respeito não pode ser opcional dentro de uma relação.


A Quaresma fala de conversão, de mudança de atitude. Talvez seja hora de ampliar esse conceito: converter comportamentos abusivos em diálogo responsável, substituir o ataque pela escuta, transformar impulsividade em consciência. Porque o verdadeiro silêncio que precisa ser quebrado não é o da fé, é o da violência.


Relacionamentos saudáveis são construídos com cuidado, limites claros e responsabilidade afetiva. E isso começa pela palavra.


Eu sou Aline Teixeira e acredito que transformar relações começa quando aprendemos que respeito não é concessão é princípio. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial. 

19 de março de 2026
Durante muito tempo, quando falávamos em violência contra a mulher, a imagem que vinha à mente era a da agressão física. Mas a realidade mudou e hoje, uma parte significativa dessa violência acontece no ambiente digital. A internet, que deveria ser um espaço de conexão, informação e liberdade, também se tornou um território de exposição, ataques e silenciamento de mulheres. Comentários agressivos, ameaças, perseguições virtuais, vazamento de imagens íntimas e campanhas de difamação fazem parte de uma dinâmica que atinge milhares de mulheres todos os dias. E existe um recorte importante: essa violência não é aleatória. Mulheres são desproporcionalmente mais atacadas, especialmente quando ocupam espaços de visibilidade, opinião ou poder. Quanto mais uma mulher se posiciona, maior tende a ser a tentativa de deslegitimar sua fala por meio da violência. O impacto disso vai muito além da tela. A violência digital gera medo, ansiedade, insegurança e, em muitos casos, leva ao afastamento de espaços profissionais e sociais. É uma forma de controle e silenciamento que limita a presença feminina, inclusive no debate público. Outro ponto que precisa ser enfrentado é a naturalização desse comportamento. Quantas vezes comentários ofensivos são tratados como “opinião”? Quantas vezes a exposição indevida da intimidade de uma mulher é compartilhada como entretenimento? Esse tipo de postura não apenas perpetua a violência, como também protege quem a pratica. Além disso, ainda existe uma dificuldade real de responsabilização. Muitas vítimas enfrentam obstáculos para denunciar, seja pela falta de informação, seja pela sensação de impunidade. Embora existam leis que tratam desse tipo de crime, a aplicação ainda é um desafio. Falar sobre violência digital é entender que o ambiente online não está separado da vida real. O que acontece nas redes tem consequências concretas, profundas e duradouras. Combater esse tipo de violência exige ação em diferentes frentes: educação digital, responsabilização dos agressores, atuação das plataformas e, principalmente, mudança cultural. Não é apenas sobre tecnologia, é sobre comportamento.  Porque garantir segurança para as mulheres também passa por garantir que elas possam existir, se expressar e ocupar espaços, inclusive digitais. Eu sou Aline Teixeira e acredito que enfrentar a violência contra mulheres também significa reconhecer e combater as novas formas de agressão que tentam silenciar suas vozes todos os dias. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.
10 de março de 2026
Sempre que um caso de violência contra a mulher ganha repercussão, o debate público costuma seguir um caminho conhecido: como as mulheres podem se proteger? O que elas deveriam ter feito de diferente? Que cuidados precisam tomar?  Mas existe uma pergunta que precisa ser feita com mais frequência: como estamos educando os meninos? Como já mencionei diversas vezes, o Brasil registra números alarmantes de violência contra mulheres. Casos de agressão, assédio e violência sexual continuam acontecendo em diferentes contextos e faixas etárias. Embora o combate a esses crimes passe por políticas públicas, justiça e acolhimento às vítimas, também é necessário olhar para a raiz do problema: a formação social e emocional dos homens. A violência não nasce de forma repentina. Muitas vezes ela começa em pequenos comportamentos normalizados ao longo da vida: piadas machistas, desrespeito ao corpo feminino, controle em relacionamentos e a ideia equivocada de que o homem precisa demonstrar poder ou superioridade. Quando essas atitudes não são corrigidas, acabam sendo incorporadas como parte do comportamento masculino. É dentro de casa que os primeiros valores são aprendidos. A família é o primeiro espaço onde meninos entendem o que é respeito, empatia e convivência. Pais e responsáveis exercem um papel fundamental nesse processo, não apenas pelo que dizem, mas principalmente pelo exemplo que dão. Um menino que cresce em um ambiente onde há respeito às mulheres tende a reproduzir esse comportamento no futuro. Da mesma forma, quando presencia desvalorização, agressividade ou desigualdade dentro de casa, pode internalizar essas atitudes como algo normal. Outro aspecto importante é a educação emocional. Durante muito tempo, meninos foram ensinados a reprimir sentimentos, ouvindo frases como “homem não chora” ou “homem precisa ser forte”. Esse tipo de educação emocional limitada dificulta que muitos homens aprendam a lidar com frustrações, rejeições e conflitos de maneira saudável. Educar meninos para o respeito, para a empatia e para o entendimento do consentimento não é apenas uma questão familiar, é uma responsabilidade social. Se queremos uma sociedade mais segura para mulheres e meninas, precisamos começar pela forma como formamos os homens do futuro. Eu sou Aline Teixeira e acredito que enfrentar a violência contra mulheres também passa pela educação dos meninos de hoje. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.