Machismo no futebol: quando a autoridade feminina ainda é questionada

24 de fevereiro de 2026

O futebol é um dos maiores símbolos culturais do Brasil. Ele mobiliza paixões, constrói narrativas e influencia comportamentos. Justamente por isso, tudo o que acontece dentro e fora de campo tem peso social. O recente episódio envolvendo o depoimento do jogador Gustavo Marques sobre a atuação da árbitra Daiane Muniz reacendeu um debate necessário: o machismo estrutural ainda presente no esporte.


Não se trata apenas de uma discordância técnica sobre decisões de arbitragem — algo comum no futebol. A questão central é o tom e o direcionamento das críticas quando a autoridade em campo é uma mulher. Árbitros homens erram todas as rodadas, são contestados, criticados e pressionados. Mas quando uma mulher ocupa essa posição, o questionamento frequentemente ultrapassa o campo profissional e passa a carregar deslegitimação, insinuações e ataques à sua competência de forma mais agressiva.


O problema não está na crítica esportiva, mas no padrão. Mulheres em posições de autoridade ainda precisam provar constantemente que merecem estar ali. No futebol, ambiente historicamente masculino, essa resistência se torna ainda mais evidente. A presença feminina no apito desafia uma cultura que por décadas tratou o esporte como território exclusivo dos homens.


Esse tipo de reação não é isolado. Ele dialoga com o que acontece em empresas, na política e em diversas áreas da sociedade. Quando mulheres assumem funções de liderança, são avaliadas com critérios mais rígidos e frequentemente enfrentam descrédito antecipado. A mensagem implícita é a de que aquele espaço não lhes pertence.


É fundamental compreender que representatividade no esporte também é transformação cultural. Árbitras como Daiane Muniz não ocupam apenas uma função técnica, sua presença comunica a meninas e mulheres que o futebol também é espaço delas. Questionar decisões faz parte do jogo, mas deslegitimar a profissional por ser mulher é perpetuar desigualdades.


O futebol tem força para educar e para reproduzir comportamentos. Quando naturalizamos ataques desproporcionais a mulheres em campo, reforçamos a ideia de que autoridade feminina é exceção ou fragilidade. E isso ultrapassa as quatro linhas.



Eu sou Aline Teixeira e acredito que combater o machismo no esporte é também fortalecer uma cultura de respeito, igualdade e justiça dentro e fora de campo. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.


10 de abril de 2026
A rotina de muitas mulheres é marcada por uma sobrecarga que, por muito tempo, foi naturalizada. Trabalhar, cuidar da casa, dos filhos, da família, das demandas emocionais de todos ao redor, e ainda assim manter produtividade, equilíbrio e presença constante. Mas a pergunta que precisa ser feita é: a que custo? A chamada dupla ou tripla jornada não é apenas uma questão de organização do tempo. É uma questão de saúde mental. Mulheres acumulam funções visíveis e invisíveis, carregando não apenas tarefas, mas também a responsabilidade emocional de sustentar relações, resolver conflitos e manter tudo funcionando. Esse acúmulo constante gera um desgaste silencioso. Ansiedade, exaustão emocional, sensação de insuficiência e culpa passam a fazer parte da rotina. Mesmo quando fazem muito, muitas mulheres sentem que nunca é o suficiente. E isso não acontece por acaso. Existe uma construção social que ensina mulheres a cuidar do outro antes de si, a não reclamar, a dar conta, a se adaptar. O problema é que, ao longo do tempo, esse padrão cobra um preço alto. A saúde mental começa a dar sinais, que muitas vezes são ignorados. O cansaço deixa de ser apenas físico e passa a ser emocional. O descanso já não é suficiente. A mente não desacelera. E, ainda assim, muitas seguem. Porque parar parece impossível. Porque pedir ajuda ainda é visto como fraqueza. Porque existe uma cobrança interna e externa para continuar. Falar sobre saúde mental feminina é, também, falar sobre limites. Sobre dividir responsabilidades. Sobre reconhecer que ninguém sustenta múltiplas jornadas sem impacto. Cuidar da mente não é luxo, é uma necessidade. E talvez o primeiro passo seja justamente reconhecer que não é normal viver constantemente sobrecarregada. Que não é preciso dar conta de tudo. Que sentir cansaço, frustração ou esgotamento não é sinal de fraqueza, é sinal de que algo precisa mudar. Foi com esse olhar que escrevi “Uma Conversa com as Emoções", um convite para que as pessoas possam se escutar, compreender seus sentimentos e construir uma relação mais saudável consigo mesmas, mesmo em meio às exigências do dia a dia.  Eu sou Aline Teixeira e acredito que nenhuma mulher deveria precisar adoecer para provar que consegue dar conta de tudo. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.
9 de abril de 2026
Todos os dias, novos casos de violência contra mulheres ocupam manchetes, redes sociais e conversas. A frequência é tão alta que, aos poucos, algo ainda mais preocupante começa a acontecer: a sociedade se acostuma. O que deveria gerar choque passa a ser tratado como mais um caso. Mais um número. Mais uma história que se perde entre tantas outras. E é justamente aí que mora um dos maiores perigos: a banalização da violência. Quando a repetição se torna rotina, o impacto diminui. A indignação enfraquece. E, com isso, a urgência de mudança também perde força. A violência contra mulheres não é um evento isolado. Ela é estrutural. Está presente em diferentes formas: física, psicológica, sexual, patrimonial e, cada vez mais, também no ambiente digital. E, mesmo diante dessa complexidade, ainda vemos tentativas de minimizar, justificar ou relativizar essas situações. Frases como “isso sempre aconteceu”, “é problema do casal” ou “não sabemos o que realmente aconteceu” ajudam a criar uma narrativa perigosa: a de que a violência pode ser relativizada. E quando a violência é relativizada, ela é, de certa forma, permitida. Outro ponto que contribui para essa banalização é o excesso de exposição sem aprofundamento. Consumimos notícias rápidas, vídeos curtos, recortes de histórias, mas raramente paramos para refletir sobre o que está por trás de cada caso. Por trás de cada número existe uma mulher. Uma história interrompida. Uma rede afetada. Um ciclo que poderia ter sido evitado. Não podemos permitir que a repetição anestesie a nossa capacidade de reagir. Porque a indignação não é exagero, é um sinal de que ainda reconhecemos a gravidade do problema. Combater a violência contra mulheres também passa por manter viva essa consciência. Por não normalizar, não justificar e não silenciar. Eu sou Aline Teixeira e acredito que manter a indignação diante da violência é uma das formas mais importantes de não permitir que ela se torne invisível. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.