Mulheres, medo e o direito de ir e vir

10 de dezembro de 2025

Toda mulher conhece o medo.


Ele aparece disfarçado nas pequenas decisões do dia: o caminho mais iluminado, a roupa escolhida, o fone que sai do ouvido ao atravessar uma rua.

É um medo que não precisa ser nomeado, porque é aprendido desde cedo. E, ao contrário do que muitos pensam, não é um medo “exagerado”, é sobrevivência.


Nas grandes cidades, esse medo ganha novos rostos: o da insegurança nos transportes, o do assédio nas ruas, o da violência dentro de casa.

Mulheres precisam calcular cada passo, cada horário, cada trajeto, como se o simples ato de existir em público fosse um risco. E, infelizmente, muitas vezes é.


Quando falamos em direito à cidade, precisamos incluir a perspectiva feminina.

O transporte, a iluminação pública, os espaços de lazer e as políticas de segurança não foram pensados levando em conta as necessidades das mulheres.


Ainda vivemos em cidades planejadas por e para homens, e isso se reflete em cada calçada mal iluminada, em cada ponto de ônibus isolado, em cada ausência de acolhimento às vítimas de violência.


Quantas vezes uma mãe deixa de aceitar um trabalho porque o trajeto é perigoso à noite?

Quantas jovens deixam de estudar porque o caminho até a escola é escuro?

Quantas mulheres mudam a rotina por medo?

Essas histórias estão em toda parte, mas quase nunca nas prioridades.


Garantir o direito de ir e vir com segurança não é um favor, é uma obrigação do Estado.

Isso significa investir em transporte seguro, em patrulhas de proteção, em urbanismo inclusivo, em campanhas educativas e em políticas de enfrentamento à violência de gênero.

Mas também significa mudar a cultura e deixar de naturalizar o medo.


Nenhuma mulher deveria precisar mandar mensagem dizendo “cheguei bem”.

Nenhuma menina deveria aprender que “andar sozinha é perigoso”.


Uma cidade verdadeiramente desenvolvida é aquela em que todas podem circular sem medo de não voltar para casa.


Sou Aline Teixeira, e acredito que a liberdade das mulheres começa no direito de andar sem medo.

Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial. 


19 de fevereiro de 2026
Recentemente, o Papa Leão XIV convidou os fiéis a refletirem sobre um tipo de jejum que vai além da alimentação: o jejum de palavrões, ofensas e palavras agressivas durante a Quaresma. A proposta, simples à primeira vista, carrega uma profundidade que ultrapassa o campo religioso. Ela nos obriga a pensar sobre o poder da linguagem e sobre como a violência começa, muitas vezes, pela palavra. Palavras não são neutras. Elas constroem, mas também ferem. Em muitos relacionamentos abusivos, a agressão física é apenas a etapa final de um processo que começou muito antes, com humilhações constantes, ironias, gritos, xingamentos e desqualificações. A violência psicológica é silenciosa, progressiva e devastadora. Ela corrói a autoestima, gera insegurança e cria dependência emocional. Quando alguém é chamado repetidamente de “inútil”, “louca”, “incapaz” ou “exagerada”, não se trata de um simples desentendimento conjugal. Trata-se de um mecanismo de controle. A palavra vira ferramenta de dominação. O agressor desestabiliza para enfraquecer. Ridiculariza para isolar. Diminui para manter poder. O convite ao jejum de palavrões é, portanto, mais do que um exercício de educação ou espiritualidade. É um chamado à responsabilidade emocional. É reconhecer que violência não começa com o tapa, começa com a naturalização do desrespeito. E quando a sociedade relativiza frases como “foi só um xingamento” ou “ele falou da boca pra fora”, contribui para manter ciclos abusivos invisíveis. Em muitos lares, o abuso verbal é tratado como algo comum. Mulheres são ensinadas a tolerar explosões de raiva, a entender gritos como “temperamento forte”, a relevar humilhações para “manter a família”. Mas não existe amor onde há medo constante. Não existe parceria onde há desqualificação contínua. Jejuar palavras agressivas é também um exercício de rever padrões culturais que normalizam o machismo, a misoginia e a violência simbólica. É entender que a forma como nos comunicamos revela nossa maturidade emocional. E, principalmente, que respeito não pode ser opcional dentro de uma relação. A Quaresma fala de conversão, de mudança de atitude. Talvez seja hora de ampliar esse conceito: converter comportamentos abusivos em diálogo responsável, substituir o ataque pela escuta, transformar impulsividade em consciência. Porque o verdadeiro silêncio que precisa ser quebrado não é o da fé, é o da violência.  Relacionamentos saudáveis são construídos com cuidado, limites claros e responsabilidade afetiva. E isso começa pela palavra. Eu sou Aline Teixeira e acredito que transformar relações começa quando aprendemos que respeito não é concessão é princípio. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.
5 de fevereiro de 2026
Os dados mais recentes sobre feminicídio no Brasil reforçam uma realidade que já deveria ter provocado respostas muito mais duras do Estado e da sociedade.  Mulheres seguem sendo assassinadas todos os dias, muitas vezes por homens que fazem parte do seu convívio ou do seu cotidiano. O caso recente da mulher morta pelo próprio síndico do prédio onde morava escancara essa lógica perversa: a violência não está apenas dentro de casa, ela também habita espaços que deveriam representar segurança. Esse crime não pode ser tratado como um surto individual ou uma tragédia isolada. Ele revela como o feminicídio é precedido por relações de poder, controle, silenciamento e falhas institucionais. Quantas mulheres convivem diariamente com seus agressores em ambientes onde não há escuta, acolhimento ou mecanismos eficazes de proteção? Quantos sinais foram ignorados antes que a violência chegasse ao extremo? O feminicídio não começa no dia do assassinato. Ele se constrói na negligência, na naturalização da agressividade, na dificuldade de acesso à rede de proteção e na ausência de políticas públicas que funcionem na prática. Quando uma mulher é morta, houve uma sucessão de omissões antes disso — sociais, culturais e institucionais. Não basta reagir depois da morte. É preciso investir em prevenção, educação emocional, fortalecimento da rede de apoio e políticas públicas integradas que enxerguem a mulher como sujeito de direitos, não como estatística. Eu sou Aline Teixeira e acredito que enfrentar o feminicídio exige coragem política, compromisso social e ações concretas antes que a violência chegue ao ponto irreversível. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial