O silêncio que antecede o feminicídio

8 de janeiro de 2026

Quando um novo caso de feminicídio explodiu nas manchetes no início deste mês, não foi surpresa, foi sinal de alerta. Nas últimas semanas, casos brutais e recentes no Brasil chocaram pela violência e pela repetição brutal de padrões que deveriam ser identificados e interrompidos muito antes de chegar ao crime letal. Mulheres foram mortas por ex-companheiros ou parceiros, outras ficaram gravemente feridas por agressões em plena rua, e a sociedade saiu às ruas em resposta a essa escalada — sinalizando que algo está profundamente errado no país.


Casos como os de Rosilene Barbosa e Tatiana Correia dos Santos, mortas por seus ex-maridos em Goiás e em São Paulo, repercutiram no Congresso Nacional e reacenderam o debate sobre a urgência de enfrentarmos a violência de gênero com seriedade. Em várias cidades, milhares de mulheres ocuparam as ruas sob o grito “Parem de nos matar”, denunciando a omissão estatal e exigindo proteção e políticas públicas efetivas para barrar essa escalada.


A violência letal contra as mulheres não é um evento isolado ou imprevisível. Segundo dados oficiais recentes, o Brasil registrou cerca de quatro feminicídios por dia em 2024, totalizando quase 1.500 mulheres assassinadas por razões de gênero, a maioria dentro de casa e cometida por parceiros ou ex-parceiros. Em 2025, a situação permaneceu gravíssima, com casos chocantes em São Paulo e outros estados que já bateram recordes históricos mesmo antes de dezembro terminar.


É crucial dizer com todas as letras: feminicídio não começa no dia do crime. Ele começa muito antes, nos sinais que são silenciados ou minimizados — na violência psicológica, no controle, no ciúme, no isolamento e no medo que a mulher carrega por meses e até por anos. O silêncio da sociedade e a naturalização desses sinais apenas alimentam um ciclo que muitas vezes termina em tragédia.


O que temos visto, mais do que casos isolados, é um padrão. A maioria das vítimas já havia convivido com violência antes de ser morta. E muitas vezes havia tentado denunciar, pedir ajuda ou se afastar, mas encontrou barreiras institucionais, falta de acolhimento, demora no atendimento ou simplesmente a ausência de proteção real.

Combater o feminicídio exige mais do que palavras de pesar depois dos crimes. Exige políticas públicas contínuas e integradas: serviços de acolhimento 24h, medidas protetivas que funcionem de verdade, redes de apoio às mulheres em risco, programas de educação e prevenção desde a infância e, acima de tudo, uma mudança cultural que ponha fim ao silêncio e à normalização da violência.



Eu sou Aline Teixeira e acredito que é hora de transformar indignação em ação, antes que mais vidas sejam perdidas. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.


19 de fevereiro de 2026
Recentemente, o Papa Leão XIV convidou os fiéis a refletirem sobre um tipo de jejum que vai além da alimentação: o jejum de palavrões, ofensas e palavras agressivas durante a Quaresma. A proposta, simples à primeira vista, carrega uma profundidade que ultrapassa o campo religioso. Ela nos obriga a pensar sobre o poder da linguagem e sobre como a violência começa, muitas vezes, pela palavra. Palavras não são neutras. Elas constroem, mas também ferem. Em muitos relacionamentos abusivos, a agressão física é apenas a etapa final de um processo que começou muito antes, com humilhações constantes, ironias, gritos, xingamentos e desqualificações. A violência psicológica é silenciosa, progressiva e devastadora. Ela corrói a autoestima, gera insegurança e cria dependência emocional. Quando alguém é chamado repetidamente de “inútil”, “louca”, “incapaz” ou “exagerada”, não se trata de um simples desentendimento conjugal. Trata-se de um mecanismo de controle. A palavra vira ferramenta de dominação. O agressor desestabiliza para enfraquecer. Ridiculariza para isolar. Diminui para manter poder. O convite ao jejum de palavrões é, portanto, mais do que um exercício de educação ou espiritualidade. É um chamado à responsabilidade emocional. É reconhecer que violência não começa com o tapa, começa com a naturalização do desrespeito. E quando a sociedade relativiza frases como “foi só um xingamento” ou “ele falou da boca pra fora”, contribui para manter ciclos abusivos invisíveis. Em muitos lares, o abuso verbal é tratado como algo comum. Mulheres são ensinadas a tolerar explosões de raiva, a entender gritos como “temperamento forte”, a relevar humilhações para “manter a família”. Mas não existe amor onde há medo constante. Não existe parceria onde há desqualificação contínua. Jejuar palavras agressivas é também um exercício de rever padrões culturais que normalizam o machismo, a misoginia e a violência simbólica. É entender que a forma como nos comunicamos revela nossa maturidade emocional. E, principalmente, que respeito não pode ser opcional dentro de uma relação. A Quaresma fala de conversão, de mudança de atitude. Talvez seja hora de ampliar esse conceito: converter comportamentos abusivos em diálogo responsável, substituir o ataque pela escuta, transformar impulsividade em consciência. Porque o verdadeiro silêncio que precisa ser quebrado não é o da fé, é o da violência.  Relacionamentos saudáveis são construídos com cuidado, limites claros e responsabilidade afetiva. E isso começa pela palavra. Eu sou Aline Teixeira e acredito que transformar relações começa quando aprendemos que respeito não é concessão é princípio. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.
5 de fevereiro de 2026
Os dados mais recentes sobre feminicídio no Brasil reforçam uma realidade que já deveria ter provocado respostas muito mais duras do Estado e da sociedade.  Mulheres seguem sendo assassinadas todos os dias, muitas vezes por homens que fazem parte do seu convívio ou do seu cotidiano. O caso recente da mulher morta pelo próprio síndico do prédio onde morava escancara essa lógica perversa: a violência não está apenas dentro de casa, ela também habita espaços que deveriam representar segurança. Esse crime não pode ser tratado como um surto individual ou uma tragédia isolada. Ele revela como o feminicídio é precedido por relações de poder, controle, silenciamento e falhas institucionais. Quantas mulheres convivem diariamente com seus agressores em ambientes onde não há escuta, acolhimento ou mecanismos eficazes de proteção? Quantos sinais foram ignorados antes que a violência chegasse ao extremo? O feminicídio não começa no dia do assassinato. Ele se constrói na negligência, na naturalização da agressividade, na dificuldade de acesso à rede de proteção e na ausência de políticas públicas que funcionem na prática. Quando uma mulher é morta, houve uma sucessão de omissões antes disso — sociais, culturais e institucionais. Não basta reagir depois da morte. É preciso investir em prevenção, educação emocional, fortalecimento da rede de apoio e políticas públicas integradas que enxerguem a mulher como sujeito de direitos, não como estatística. Eu sou Aline Teixeira e acredito que enfrentar o feminicídio exige coragem política, compromisso social e ações concretas antes que a violência chegue ao ponto irreversível. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial