Quem cuida também precisa de cuidado

Nos últimos anos, muito se falou sobre saúde mental e isso é um avanço.
Mas, quando olhamos de perto, ainda são poucos os espaços que acolhem quem passa o dia inteiro cuidando dos outros.
Médicos, enfermeiros, professores, assistentes sociais, cuidadores de idosos, mães solo, voluntários… Pessoas que fazem da escuta, do acolhimento e da dedicação a sua rotina. Gente que sustenta o mundo enquanto o mundo esquece de sustentá-los.
A verdade é que quem cuida também adoece.
E, quase sempre, adoece em silêncio.
É o esgotamento que vai se acumulando, o cansaço que não passa, a dor de cabeça que vira insônia, a irritação que vira culpa. Muitos desses profissionais seguem em frente porque “não dá pra parar”.
Mas o preço desse “dar conta de tudo” é alto demais.
O cuidado é, antes de tudo, um ato de humanidade. Mas quando ele não é recíproco, vira uma forma lenta de desgaste.
O corpo e a mente não aguentam viver permanentemente no modo emergência.
É o que chamamos hoje de fadiga da compaixão, um fenômeno que atinge cada vez mais quem trabalha ajudando os outros.
E aqui entra a importância das políticas públicas. Quando o Estado oferece suporte psicológico, estrutura, pausas, reconhecimento e salários dignos, não está apenas ajudando o profissional, está garantindo que o cuidado siga vivo, humano e possível.
Nos hospitais, nas escolas e nos lares, há uma exaustão coletiva que precisa ser nomeada.
Precisamos romper o silêncio e falar sobre a dor de quem sustenta os outros.
Precisamos entender que o cuidado não pode continuar sendo sinônimo de sacrifício.
Cuidar de quem cuida é garantir que o cuidado continue existindo.
É entender que empatia também se pratica de dentro pra fora. Que ninguém é fonte inesgotável. Que toda dedicação precisa de retorno, de pausa, de amparo.
Sou Aline Teixeira, e acredito que cuidar de quem cuida é o primeiro passo para reconstruir uma sociedade mais saudável. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.



