Saúde mental de mulheres que viveram relacionamentos abusivos

22 de setembro de 2025

Silenciosa, devastadora e, muitas vezes, invisível: assim podemos definir a marca que os relacionamentos abusivos deixam na saúde mental das mulheres. Não se trata apenas de uma história mal resolvida ou de um término doloroso. O abuso emocional, psicológico ou físico corrói a autoestima, desestabiliza a confiança e mina a capacidade de reconhecer o próprio valor.


Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, a cada dois minutos, uma mulher é vítima de violência doméstica no Brasil. Por trás desses números, existem trajetórias de mulheres que carregam feridas internas difíceis de nomear: ansiedade, depressão, crises de pânico, transtorno de estresse pós-traumático. Muitas descrevem a sensação de terem perdido a própria identidade, como se a vida tivesse ficado suspensa dentro da lógica de controle e manipulação.


Romper com esse ciclo não é simples. A manipulação psicológica típica dos relacionamentos abusivos cria uma espécie de prisão invisível, que dificulta reconhecer a violência e, principalmente, pedir ajuda. Quando finalmente rompem, essas mulheres iniciam uma jornada de reconstrução — um processo lento, que exige acolhimento, rede de apoio e, em muitos casos, acompanhamento profissional.


Falar sobre saúde mental é também falar sobre políticas públicas. É garantir acesso a centros de referência, serviços de psicologia e psiquiatria pelo SUS e investir em campanhas que alertem para os sinais do abuso. É compreender que o cuidado não pode ser privilégio, mas direito.


Mais do que nunca, precisamos olhar para essas mulheres não como vítimas eternas, mas como protagonistas de suas histórias. O autocuidado, a retomada de vínculos sociais e o acesso a espaços de escuta são caminhos que fortalecem a autonomia e abrem novas possibilidades de vida.


Às mulheres que estão atravessando esse processo, fica o lembrete: não há vergonha em pedir ajuda, em admitir a dor ou em recomeçar. O abuso não define quem você é. Sua história é maior do que a violência que você viveu.





Aline Teixeira

19 de fevereiro de 2026
Recentemente, o Papa Leão XIV convidou os fiéis a refletirem sobre um tipo de jejum que vai além da alimentação: o jejum de palavrões, ofensas e palavras agressivas durante a Quaresma. A proposta, simples à primeira vista, carrega uma profundidade que ultrapassa o campo religioso. Ela nos obriga a pensar sobre o poder da linguagem e sobre como a violência começa, muitas vezes, pela palavra. Palavras não são neutras. Elas constroem, mas também ferem. Em muitos relacionamentos abusivos, a agressão física é apenas a etapa final de um processo que começou muito antes, com humilhações constantes, ironias, gritos, xingamentos e desqualificações. A violência psicológica é silenciosa, progressiva e devastadora. Ela corrói a autoestima, gera insegurança e cria dependência emocional. Quando alguém é chamado repetidamente de “inútil”, “louca”, “incapaz” ou “exagerada”, não se trata de um simples desentendimento conjugal. Trata-se de um mecanismo de controle. A palavra vira ferramenta de dominação. O agressor desestabiliza para enfraquecer. Ridiculariza para isolar. Diminui para manter poder. O convite ao jejum de palavrões é, portanto, mais do que um exercício de educação ou espiritualidade. É um chamado à responsabilidade emocional. É reconhecer que violência não começa com o tapa, começa com a naturalização do desrespeito. E quando a sociedade relativiza frases como “foi só um xingamento” ou “ele falou da boca pra fora”, contribui para manter ciclos abusivos invisíveis. Em muitos lares, o abuso verbal é tratado como algo comum. Mulheres são ensinadas a tolerar explosões de raiva, a entender gritos como “temperamento forte”, a relevar humilhações para “manter a família”. Mas não existe amor onde há medo constante. Não existe parceria onde há desqualificação contínua. Jejuar palavras agressivas é também um exercício de rever padrões culturais que normalizam o machismo, a misoginia e a violência simbólica. É entender que a forma como nos comunicamos revela nossa maturidade emocional. E, principalmente, que respeito não pode ser opcional dentro de uma relação. A Quaresma fala de conversão, de mudança de atitude. Talvez seja hora de ampliar esse conceito: converter comportamentos abusivos em diálogo responsável, substituir o ataque pela escuta, transformar impulsividade em consciência. Porque o verdadeiro silêncio que precisa ser quebrado não é o da fé, é o da violência.  Relacionamentos saudáveis são construídos com cuidado, limites claros e responsabilidade afetiva. E isso começa pela palavra. Eu sou Aline Teixeira e acredito que transformar relações começa quando aprendemos que respeito não é concessão é princípio. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.
5 de fevereiro de 2026
Os dados mais recentes sobre feminicídio no Brasil reforçam uma realidade que já deveria ter provocado respostas muito mais duras do Estado e da sociedade.  Mulheres seguem sendo assassinadas todos os dias, muitas vezes por homens que fazem parte do seu convívio ou do seu cotidiano. O caso recente da mulher morta pelo próprio síndico do prédio onde morava escancara essa lógica perversa: a violência não está apenas dentro de casa, ela também habita espaços que deveriam representar segurança. Esse crime não pode ser tratado como um surto individual ou uma tragédia isolada. Ele revela como o feminicídio é precedido por relações de poder, controle, silenciamento e falhas institucionais. Quantas mulheres convivem diariamente com seus agressores em ambientes onde não há escuta, acolhimento ou mecanismos eficazes de proteção? Quantos sinais foram ignorados antes que a violência chegasse ao extremo? O feminicídio não começa no dia do assassinato. Ele se constrói na negligência, na naturalização da agressividade, na dificuldade de acesso à rede de proteção e na ausência de políticas públicas que funcionem na prática. Quando uma mulher é morta, houve uma sucessão de omissões antes disso — sociais, culturais e institucionais. Não basta reagir depois da morte. É preciso investir em prevenção, educação emocional, fortalecimento da rede de apoio e políticas públicas integradas que enxerguem a mulher como sujeito de direitos, não como estatística. Eu sou Aline Teixeira e acredito que enfrentar o feminicídio exige coragem política, compromisso social e ações concretas antes que a violência chegue ao ponto irreversível. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial